Usar IA com segurança: dados, RGPD e AI Act
Para usar IA com segurança no trabalho: não coles dados pessoais nem informação confidencial em ferramentas que a tua empresa não aprovou, confirma sempre factos e números importantes, revê tudo o que envias com o teu nome e desconfia de vozes, vídeos e mensagens urgentes que podem ser falsos. O RGPD aplica-se sempre que usas dados pessoais, e o AI Act obriga as empresas que usam IA a formar quem a usa.
O que nunca deves colar numa ferramenta pública
O que escreves numa ferramenta de IA pode ficar guardado e, em algumas versões gratuitas ou pessoais, pode ser usado para melhorar os modelos. Por isso, numa ferramenta que a tua empresa não aprovou, não coles:
- Dados pessoais: nomes, contactos, NIF, moradas, dados de saúde de clientes ou colegas.
- Informação confidencial: contratos, números financeiros não públicos, planos, propostas, código da empresa.
- Palavras-passe e acessos: nunca, em nenhuma ferramenta.
Truque: anonimiza. Troca «Maria Silva, Farmácia Central de Évora» por «Cliente A, farmácia no Alentejo». A IA ajuda na mesma.
Pessoal ou da empresa?
As versões empresariais (por exemplo, Copilot no Microsoft 365 da empresa ou Gemini no Google Workspace da empresa) costumam ter regras mais fortes sobre o que acontece aos dados. Antes de usar uma ferramenta pessoal para trabalho, pergunta: a minha empresa tem uma ferramenta aprovada? Há uma política de uso de IA? Se não houver, propõe uma: é o primeiro passo do guia IA na Empresa.
Confiar, mas confirmar
A IA pode inventar factos com ar de certeza (alucinações). Regras simples:
- Números, datas, leis e citações: confirma sempre na fonte original.
- Pede as fontes e abre os links. Vê se dizem mesmo o que a resposta diz.
- Desconfia do que é perfeito demais: uma estatística exata sem fonte é um sinal de alerta.
- Tu és responsável. O que sai com o teu nome é teu, mesmo que tenha sido a IA a escrever.
Burlas com IA: os 3 sinais
Os burlões também usam IA: mensagens sem erros de português, vozes clonadas e vídeos falsos. Desconfia quando há:
- Urgência: «tem de ser agora», «não digas a ninguém».
- Dinheiro ou acessos: transferências, MB WAY, códigos, palavras-passe.
- Um canal novo: um número desconhecido, um e-mail ligeiramente diferente.
Na dúvida, desliga e contacta tu a pessoa pelo número que já conheces. Em família, combinem uma palavra-passe. Mais no guia Burlas com IA.
O que dizem as regras
- RGPD: aplica-se sempre que usas dados pessoais, também numa ferramenta de IA.
- AI Act: a lei europeia da IA. Desde 2 de fevereiro de 2025, o artigo 4.º obriga as empresas que usam sistemas de IA a tomar medidas de literacia em IA para quem os usa.
- Direitos de autor: cuidado ao usar textos e imagens gerados por IA em materiais comerciais; ainda há muitas questões em aberto.
Isto não é aconselhamento jurídico. Para casos concretos, fala com o jurista ou o encarregado de proteção de dados da tua empresa.
Exercício (5 minutos)
Faz este check-up de 5 minutos:
1. Que ferramentas de IA uso no trabalho? São aprovadas pela empresa? 2. Já colei dados pessoais ou confidenciais? Em quê? 3. A minha empresa tem uma política de uso de IA? Onde está? 4. Na minha família, temos uma palavra-passe combinada?
Se alguma resposta te deixou desconfortável, já sabes por onde começar. Parabéns: terminaste o percurso IA do zero.
Terminaste o percurso IA do zero. 🎉 E agora?